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Relato: Pedro (Mamãe: Mayra; Papai: Pablo).

Tudo começou com uma gravidez inesperada, que veio sem bater na porta, totalmente fora de período conforme a minha tabela.

No início, sem muita informação, cheguei a procurar meu obstetra da primeira gestação, que me proporcionou um parto normal cheio de intervenções, com todo o pacote das “ias”(anestesia, episiotomia, tricotomia) além de ocitocina sintética e posição ginecológica. Sem informação, achava realmente que seria o melhor que poderia ter.

Aos poucos, através de relatos de amigas próximas e outras mais distantes, fui conhecendo o mundo humanizado do parto, sem intervenções. Fui acompanhando a gestação com uma médica do plano, notadamente cesarista, que, quando cogitei um parto sem anestesia, fez uma cara bem feia e disse: ih, essa coisa de índia? Bom, eu faço normal, cobro a parte, mas não faço se for bebe maior de 4 kg, não espero mais que 40 semanas, nem faço isso ou aquilo, só em posição ginecologica, etc.. ai já vi que teria que procurar outra opção. Acredito que, nesse ponto, perto dos 5 meses de gestação, começou uma verdadeira saga.

Fui a alguns consultórios de medicos humanizados nos quais me foram informados valores estratosféricos. Quando percebi que não poderia pagar por isso entrei em parafusos. Acho que foi a parte mais difícil de toda a gravidez, que foi bem tranquila em relação aos sintomas. Chorei muito, meu marido sempre do meu lado e sofrendo junto. Foi bem dificil.

Num belo dia resolvi entrar aqui no grupo de parto natural e informei sobre minha angustia. Ai apareceu a linda daAlexandra Roberti que me indicou a Mariana Chagas, obstetriz, com a qual entrei em contato logo em seguida. Marcamos logo uma consulta pra tirar duvidas, e amei a abordagem e a pessoinha (Mari) logo de cara. Senti muita segurança e decidi, com meu marido e depois de muita pesquisa e estudo, pelo parto domiciliar assistido.

A partir daí me foram apresentadas algumas doulas, e o universo colocou no meu caminho a Fabiola Cassab, que é minha doula querida. Conheci pessoas maravilhosas nessa empreitada, como a Perla Cavalcante, aThamires Manoela, etc. Algumas semanas depois os exames apontaram que as minhas plaquetas estavam baixas e, muito embora não fosse uma baixa muito relevante, isso impediria o PD.

Ai começou outra fase: a de tentar aumentar as plaquetas. Foram semanas comendo figado, carnes, proteinas, sucos de folhas verde escuras, seguindo um padrão de dieta bem certinho. Aumentou, mas não o suficiente pra chegar no limite mínimo. Mudamos, então, pro hospitalar humanizado. Mas com que médico? Tudo deu tão certo, que o universo me trouxe, de novo, alguém muito especial, o Dr Paulo Noronha. Logo na primeira consulta já tive certeza de que ele seria meu médico ideal. E foi. Equipe formada, mais a linda da Evelyn Angel Fotógrafa (fotógrafa, amiga e pessoa especial) que acompanhou a gestação e o parto, e que também foi essencial nesse caminho, só bastava esperar.

E dia 27/12 tudo aconteceu. Durante o dia fui ao shopping, cinema, caminhei em algumas lojas e até comprei uma sandália pra livrar os pés inchados. Assistimos ao filme, voltamos todos pra casa. Decidimos, eu e marido, assistir a mais alguns capítulos de uma série que estávamos seguindo. Por volta das 22:00hrs senti uma cólica diferente e já fiquei de sobreaviso. Na minha primeira gestação tive um parto muito rápido, de 4 horas com anestesia, e já tinha informado a equipe que tinha medo de nascer no caminho ou em casa. Mais uma cólica. Outra. Em menos de 1 hora.

Já avisamos a equipe. Ali eu ja tinha certeza de que o dia tinha chegado. Perto das 23 horas, já tinha contrações ritmadas de 5 em 5 minutos, conforme marcação no aplicativo de contrações que o Pablo (marido) foi fazendo. A Fabiola chegou em casa perto das 23:30hrs, eu já com contrações de 4 em 4 minutos, reduzindo pra 3. Ficamos cerca de 30 minutos em casa e decidimos ir para o hospital porque estava evoluindo muito rapido, como foi na primeira vez, e o hospital não fica muito perto de casa. Equipe toda avisada, uma correria geral, chegamos no São Luiz Analia Franco as 00:30. Ali, as contrações já estava bem fortes, senti todos os buracos das ruas.

Cheguei e tive uma contração na frente do hospital, me apoiei no carro e deixei ela passar. Me ofereceram, gentilmente, uma cadeira de rodas mas não conseguia me imaginar sentada naquele momento. Precisava andar e achar posição favorável quando vinham as contrações. Ali, senti mãos me afagando e palavras de carinho, era a Mari que veio a jato, e nem consegui cumprimentar direito porque já estava na “partolandia”. No plantão, fizeram o toque e constataram: 8 centimetros de dilatação. Sem bolsa rompida.

As meninas da equipe me ajudaram a quebrar alguns protocolos (fazer exames, cardiotoco, etc) pra subir logo pra delivery room, e ainda bem que foi assim senão ia nascer ali na triagem mesmo. Subimos pra sala de parto natural, com contrações durante todo o caminho. Eram dois passos e uma parada pra deixar ela passar.

Chegamos na delivery lá pela 1:00 e pedi pra entrar na banheira, pois estava sangrando por conta do toque “delicado” da plantonista. Perguntei se ia demorar, porque se fosse demorar ia querer anestesia! Rsrs Lembro da Mari falando: Não vai demorar, ele tá chegando. Ali chegou o lindo do Dr Paulo e meu marido, que entrou com roupa de médico porque não daria tempo de esperar darem um avental especifico de acompanhante pra ele.

Dr Paulo tratou de arrumar logo um kit pra ele não perder o parto. Entrei na banheira com um palmo de água. Fabiola e Mariana ao meu lado o tempo todo, jogando agua sobre a barriga e sobre o meu corpo. Aquela sensação foi maravilhosa, aliviou muito. Ali, recebi a informação da Fabiola que a Evelyn tinha chegado. Lembrei de sorrir um sorriso que veio do coração e dizer “a Evelyn veio” mas voltei a “partolandia” rapidinho. A pediatra do hospital não autorizou o parto na agua, e eu só ouvia o Dr Paulo, ao fundo, falar: Não dá pra tirar ela dai, vai nascer, olha ali, não dá! Hahaha . Comecei a sentir vontade de fazer força. Fiz a primeira em posição semi deitada.

Conforme Pablo e dr Paulo, já estava coroando. Nao tive coragem de colocar a mão. Lembro-me do Dr Paulo dizer: Na próxima faça a força que tiver vontade, pois ele está no canal vaginal e não o quero ali por muito tempo. Virei de costas, de joelhos apoiada na borda da banheira, e fiz força na outra contração. Senti uma pressão enorme, uma queimação forte, gritei, e depois veio um alivio. Perguntei: nasceu? Dr Paulo: Sim, vire aqui, olha ele aqui!!! Virei e vi meu pequenininho, amparado pelo Paulo, que começou a chorar.

Só conseguia falar: Eu consegui!! eu consegui!!! Meu marido cortou o cordão e saimos da banheira, porque estava um pouco fria a agua pra ele. Veio no meu colo e mamou logo na sequencia, com a ajuda da Fabiola. Sem colirio de nitrato de prata, sem aspiração, só tomou a vitamina K injetável e a vacina de hepatite B. Na cama, a placenta saiu naturalmente.

Tive uma laceração grau 1, tomei um ponto que não me incomoda em nada desde o dia que foi dado. Alias, no mesmo dia já estava muito bem, recuperação excelente. Não tomei nenhum remedio, anestesia, não sofri cortes, não tive nenhum acesso a nenhuma veia, só tomei antiinflamatorio mesmo, em comprimido, enquanto estava no hospital, por excesso de zelo.

E assim, as 1:20 da manhã, fazendo todo mundo correr como imaginei que fosse ser, depois de 3:20 de trabalho de parto o Pedro chegou, da forma mais linda e com as pessoas mais lindas em volta. Nasceu na banheira do São Luiz e ficou conhecido, uma enfermeira me perguntou: foi ele que nasceu na banheira? rsrsrs Agradeço imensamente a toda a equipe, composta pela Evelyn, Fabiola, Mariana e Dr Paulo que respeitaram nossas vontades e plano de parto, com um carinho imenso e profissionalismo ímpares.

São, de fato, pessoas que amam o que fazem, e que fazem com muita dedicação e competência.

E, acima de tudo, ao meu marido e filha Kaká, que estiveram do meu lado apoiando minhas decisões, estudando junto, sofrendo e sorrindo junto durante todos os percalços e todas as coisas boas da gestação. Sem vocês, amores de minha vida, não teria conseguido.

Muita gratidão.