Esposo: Zuza

Paciente: Miriam

BB: Joaquim

1. Como foi o processo de escolha pelo parto normal humanizado? Decidiram juntos? Participou da decisão? Embarcou nesta escolha logo de cara ou teve que amadurecer a ideia?

Desde o começo sempre foi muito importante pra mim estar presente nesse processo, afinal ter um filho é algo muito especial que eu queria muito, e eu tinha aquela vontade de cuidar de tudo da melhor forma possível. Ao mesmo tempo eu sabia que o que importava mais do que tudo não era atender as minhas expectativas e desejos em relação ao parto, mas descobrir qual o parto que deixaria a Miriam mais segura, tranquila e feliz, esse seria o melhor parto para nós. 

Essa escolha foi lenta e tranquila, até entendermos a opção que nos deixaria mais felizes, confortáveis e seguros. Nesse meio tempo fazíamos o pré-natal com uma ginecologista obstetra tradicional, que por volta das 28 semanas queria marcar a data da cesárea, alegando que aos 42 anos a Miriam talvez não tivesse força para um parto normal e deixando claro que nesse caso o parto seria com o médico de plantão no hospital e não com ela.

A escolha foi feita mesmo quando conhecemos o Paulo, diferente da médica tradicional ele deixou claro no que acreditava e porque, apresentando referências e estatísticas embasando sua visão, nos ouviu e conversou conosco com atenção e sem pressa, deixando claro que as escolhas sobre o parto cabiam antes de tudo a nós.

2. Porque escolheram este tipo de parto: parto normal humanizado? O que representa para você o parto humanizado?

Desde que comecei a pesquisar eu me identifiquei com a proposta do parto normal humanizado, ela estava de acordo com meus valores e com a forma que eu vivo, porque buscava um contato com os ritmos e processos naturais, que por milênios regeram as vidas de nossos ancestrais, mas ao mesmo tempo estava sintonizado com as pesquisas científicas mais contemporâneas.

Mas como disse antes, a minha prioridade era a Miriam se sentir tranquila e segura. Inicialmente ela tinha medo da dor que o parto normal envolveria, mas não queria fazer a cirurgia da cesárea sem necessidade e sofrer com a recuperação, quando percebeu que no parto humanizado poderia com o apoio do médico escolher qual o caminho a seguir durante o processo ela ficou muito mais tranquila.

3. No que está escolha te mudou como homem? 

Essa escolha significou, num momento importante e definitivo da vida, optar por um caminho que hoje ainda é alternativo, ainda é uma excessão à regra, isso abriu portas para que eu fizesse escolhas semelhantes em outras áreas da minha vida, conectadas com o que realmente acredito, como o respeito aos ritmos naturais, o cuidado com o próximo, a afetividade, etc

4. No que o processo do parto te acrescentou ou te transformou ?

O processo do parto me aproximou de minha esposa de uma forma fantástica, pudemos estar muito juntos nesse momento tão cheio de esperança e alegria mas também medos e inseguranças. Tenho muito orgulho dela pela calma, tranquilidade, força e persistência que demonstrou; e uma gratidão sem fim por ela ter tido o Joaquim desse jeito tão especial e que me incluiu tanto.

Além disso, aguardar 15 horas pra ver meu filho nascer me fez perceber que as coisas levam o tempo que tem que levar, que existe um ritmo da natureza no qual podemos confiar e nos entregar.

Mais do que tudo fui transformado pelo privilégio de viver o momento sagrado de receber esse novo ser no nosso mundo, nunca me esquecerei de quando ele ao reconhecer nossas vozes imediatamente parou de chorar, abriu os olhos pela primeira vez e olhou lá no fundo das nossas almas, como dizendo: “eu conheço vocês!”

5. O que significou como homem ver o teu/tua filho(a) nascer de forma respeitosa?

Ver meu filho nascer, com o corpo da Miriam apoiado no meu, quase como se ele estivesse saindo de mim também, foi um daqueles momentos especiais e definitivos da vida. No instante do seu primeiro fôlego, fui dominado por um instinto paterno e pela primeira vez na vida tive total certeza do que queria fazer até morrer: cuidar dessa pequena criatura e abrir o mundo para ela. Não era um sentimento de obrigação ou responsabilidade, mas um desejo forte e profundo de cuidar pra sempre daquela criatura tão frágil que acabara de conhecer.

Após meu filho nascer dessa forma que respeitou seu corpo, mente e espírito, nada mais natural que ele cresça e se desenvolva com esse mesmo respeito, e que esse respeito invada a vida de toda a família, nos ajudando a cuidar de nós mesmos e daqueles com quem convivemos dessa forma integral, criando um espaço a nossa volta que semeei o amor que desde esse parto vivenciamos no dia-a-dia da nossa família.